Uma outra história queer
O lema da manifestaçao do Pride deste ano é "Nossa História, Nosso futuro". Mas, após ler a propaganda oficial do Mardi Gras, crerás que nao temos história antes de 1960 e que o nosso futuro pode ser só o de sermos contentes e alegres consumidores, casar e, até alguns, converter-nos em bispos. As vidas das primeiras geraçoes de queers lembram-nos que o nosso futuro e liberdade nao tenhem por que estar restringidos ao consumismo capitalista. Para qualquer que nao aspire a viver numa vivenda de desenho, para o que pense que nao há nada pior que casar ou para o que conduza uma bicicleta em lugar de ser sócio de um ginásio caro- aqui vai uma (breve) história alternativa da vida queer.
Londres tivo sempre os seus redutos de refugiados e de gentes vivendo à margem da lei, na procura da vida feliz e anónima que a cidade oferece. A possibilidade de fazer uma comunidade por si própria, à margem, e contra as restriçoes tradicionais da família e a moralidade, foi a sua maior atracçao, tanto no Sec. XVII como no XXI. O sexo foi o elemento central das novas éticas e políticas de comunidades nucleadas ao redor do desejo. Há muitos ejemplos; no Sec. XVIII Londres tinha as Molly House -lugares onde os homens, com particular estilo efeminado, encontravam-se para beber, socializarem-se e terem relaçoes sexuais: em 1726 as Sociedades para a Reforma das Condutas organizarom diversas redadas nesses lugares, sendo aforcados por sodomia, ao menos, três homems em Tyburn. Lembra pois, quando passares caminando por Marble Arch - que o estado assasinou ali maricas.
Os anos 50 do passado século derom lugar ao desenvolvimento das primeiras organizaçoes de libertaçao gay do mundo anglosajom. A mayor parte destes grupos cobriam-se de repetabilidade ao efeito de ganharem assim a simpatia dos liberais de classe média. Na Guerra Fria, quando queers e commies estavam a ser perseguidas como inimigas da "liberdade", quizais algo nao tam surprendente, as coisas começarom a mudar. O activismo gay de finais dos 60 e dos 70 virou a posiçoes mais militantes. Frente às educadas maneiras anteriores que pretendiam ganhar reformas legais, novos activistas em atitude desafiante punham a base no orgulho da sua sexualidade. O Gay Liberation Front (fundado em Nova Iorque em 1969 e em Londres um ano depois) nao tinha parecido nenhum com a elitista e profissional política de Lobbies de hoje em dia. Eles queriam a liberdade sexual, nao uma liberdade fechada nos límites da sociedade heterossexual. A primeira manifestaçao gay do Reino Unido tivo lugar em 1970 em Highbury Fields, no norde de Londres, em protesto contra as detençoes policiais às que eram submetidos os que faziam engate no parque. Em agosto de 1971 o GLF organizou a sua primeira marcha através do centro de Londres e em Julho de 1972 a cidade viveu a sua primeira Semana do Gay Pride, que finalizou numha reivindicativa marcha de 2000 manifestantes a Hyde Park. Já desde princípios dos 70, os activistas gais radicais promoverom diversas comunas e centros sociais ocupados. Existia a Radical Queens Commune en Colville Gardens, Earls Court e, Bethnal Rouge no East End. Esta tradiçao está a continuar hoje. Em 1988 e em 2002 organizamos os encontros Queeruption ao longo de várias squats de Londres para compartilhar ideias, visoes e práticas entre queers de tudas as sexualidades.
Um eixo central do activismo queer durante décadas foi a ressistência aos assaltos homófobos aos nossos corpos, vidas e espaços. O GLF surgiu após as revoltas de Stonewall em Junho de 1969, quando as queers se resistiram a uma redada policial no Stonewall Inn de Nova Iorque. As queers americanas volveram luitar de novo dez anos mais tarde, em San Francisco. As revoltas de "Noite Branca" foram a resposta ao veredicto de homicidio dado no juíço contra Dan White, quem disparara ao político gay local Harvey Milk. Essa noite queimarom-se vários carros policiais e dúcias de agentes forom hospitalizados. Como dicia o grupo activista americano Queer Nation, "Queers Bash Back". Em UK, um dos ataques mais graves às nossas vidas nos últimos 15 anos foi a introduçao da Secçao 28 por parte do governo de Thatcher, que advertia as autoridades locais acerca de "promoçao da homossexualidade". A aplicaçao da lei foi praticamente inexistente, mas representava ela própria um assalto ideológico massivo à diversidade sexual. Provocou uma grande e combativa resposta por parte da gente queer. Dez mil pessoas participarom numha marcha contra a lei em Londres, e o duplo tomou as ruas em Manchester. 2 de Fevereiro de 1988 um grupo de activistas lésbicas entrou na Casa dos Lores durante o debate da nova Lei. E, 23 de Maio, o dia prévio à aprovaçao de Secçao 28, as activistas lésbicas irrumpirom no noticiario ao vivo das seis do serao na BBC. Em Fevereiro de 2000, um colectivo de mulheres actuando sob o nome de Lesbian Avengers realizou uma acçao directa contra a empresa de autocarros Stagecoach, cujo proprietário, Brian Souter, financiou pessoalmente a campanha contra a derogaçom da Secçao 28 em Escócia. Lesbian Avengers assaltou um autocarro da empresa em Piccadilly Circus e pintou-no de um colorido rosa.
A acçao directa também foi empregada para mudar a inacçao dos governos e as avaras corporaçoes farmaceuticas ao redor da pandémia de AIDS. Em 1987 gente com AIDS e activistas queer formarom ACT-UP (Coaligaçom da AIDS para Desencadenar o Poder). A primeira acçao em Nova Iorque foi uma "morte massiva" em Wall Street durante a hora forte da manhá. Outra vez, interromperom a sessao de negocios da New York Stock Exchange. Em Londres, ACT-UP bloqueou o Departamento de Saude e Segurança Social e encheu de lixo a secçao de visados da Australian High Comision em protesto pelas leis discriminatórias de migraçao. ACT-UP segue a existir em USA e nalguns lugares mais, como parte do movimento de justiça global, denunciando que no "livre mercado" as grandes corporaçoes farmaceuticas denegam o aceso aos tratamentos mais eficaces à gente do terceiro mundo e às comunidades negras/latinas pobres de América.
El activismo queer no trata sólo de la sexualidad: Lo queer tiene que ver con usar nuestra creatividad y nuestras pasiones para construir un mundo mejor. Tiene que ver con reconocer que el término "LGBT" deja fuera a muchas disidentes sexuales e incluye y fuerza nuestras identidades a ser un nicho de mercado más. Hacemos activismo y vivimos pasándonoslo bien. Por supuesto, los queers radicales han hecho esto durante décadas. Estuvimos en Greenham Common. Estuvimos en Seattle, Praga y Genova. Estamos en el movimiento Anti Guerra. Desde 1998 Queers for Reconciliation han estado organizados en Australia en apoyo a la reconciliación con las comunidades aborígenes y de Torres Strait Islander. Desde el año 2001 las queers israelíes han participado en las marchas del orgullo de Tel Aviv contra la ocupación de Palestina. El pasado noviembre, en Argentina, un grupo organizado por activistas trans marchó en la mani del orgullo bajo el lema de "No al imperialismo, no a la guerra, no al ALCA (tratado de libre comercio de las Américas)." Su contingente incluía a piqueteros, trabajadores desempleados que han liderado la lucha contra las políticas de austeridad impuestas por el Fondo Monetario Internacional. Éstas son las gentes con las que estamos a gusto manifestándonos, y no aquellos gays ricos y poderosos que utilizan la política de despachos para que se tolere a los "buenos" gays de sectores de clase media a expensas de la multitud de "despreciables" queers.
O activismo queer nao trata só da sexualidade: o queer tem relaçao com usar a nossa criatividade e as nossas paixoes para construirmos um mundo melhor. Tem relaçao com reconhecer que o termo "LGBT" deixa fora a muitas dissidentes sexuais e inclui e força as nossas identidades a ser um espaço de mercado mais. Fazemos activismo e vivemos divertindo-nos. Evidentemente, os queers radicais fizerom isto durante décadas. Estivemos em Greenham Common. Estivemos em Seattle, Praga e Génova. Estamos no Movimento Anti-Guerra. Desde 1988 Queers for Reconciliation estiverom organizados em Austrália apoiando a reconciliaçom com as comunidades aborigens e de Torres Strait Islander. Desde 2001 as queers de Israel participarom nas marchas do Pride de Tel Aviv contra a ocupaçao de Palestina. O passado Novembro, em Argentina, um grupo organizado por activistas trans marchou na manifestaçao do pride sob o lema "Nao ao imperialismo, nao à guerra, nao ao ALCA (tratado de livre comércio das Américas)". O seu contigente incluia "piqueteros", trabalhadores dessempregados que lideram a luta contra as políticas de austeridade impostas pelo Fondo Monetário Internacional. Estas som as gentes com as que gostamos de nos manifestar, nao com aqueles gais ricos e com poder que usam a política oficial para que se tolere aos gais "bons e decentes" de classes médias a expensas da multitude de despreciáveis queers.
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Julho de 2003
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